Requalificação Frente Ribeirinha de Caminha

19 Jul

Enquadramento da Proposta

Decomposição funcional da proposta

Planta geral

Perfis (zona Norte)

Concurso Público de Concepção para a Requalificação e Revitalização da Frente Ribeirinha de Caminha

Coordenação geral; em associação com Bruno Soares Arquitectos e DHV. (Desclassificado por irregularidade processual)

Memória Descritiva (extracto)

“2.SÍNTESE DA PROPOSTA
Principais aspectos e opções para o ordenamento do espaço público

A proposta que agora se apresenta para a requalificação e revalorização da Frente Ribeirinha de Caminha parte naturalmente da consideração da realidade existente, assim como dos termos de referência apresentados pela Polis Litoral Norte, concretizando contudo alguns aspectos decorrentes de uma leitura própria.

Neste sentido, tendo em consideração o carácter linear da frente ribeirinha, a nossa opção – ao contrário de outras leituras possíveis, incluindo a dos termos de referência – foi a de recusar a reconversão da EN-13 numa avenida urbana (cuja caracterização mais natural apontaria sobretudo no sentido da definição de uma alameda com os seus alinhamentos de árvores e possivelmente separador e vias de serviço), assumindo antes que se trata de um simples canal de circulação automóvel que divide duas realidades que importa, (prioritariamente), antes de mais, relacionar: um espaço urbano com uma frente de rio.

Por outro lado, dada a uniformidade da relação entre a marginal e a água em toda a extensão da zona de intervenção, procurou-se a definição de diversos planos de espaço público, desenvolvidos a diferentes cotas altimétricas que possam criar diferentes tipos de relação visual com o plano de água. Estes espaços foram localizados quer do lado Poente da via marginal, junto ao Rio, quer do lado Nascente, procurando articulações com o tecido urbano existente (distinguindo o seu carácter diferenciado: mais monumental a Norte, mais aberto e irregular até a Praça Pontault-Combault e, por fim, para Sul, mais estabilizado), e entre si.

Do lado do Rio, estes espaços correspondem sobretudo a novos passeios-esplanadas, rebaixados em relação às cotas existentes em cerca de 0,90m, cuja função é a aproximação sensível do peão ao nível da água e a salvaguarda das melhores condições de conforto e protecção em relação ao nível da estrada. Estes passeios-esplanadas não são contínuos em toda a extensão da marginal – assinalando antes momentos específicos para a fruição do rio e para actividades de lazer mais contemplativas e que exigam maior sossego.

Do lado oposto, isto é a Nascente da vila marginal, estes espaços são definidos a partir das próprias exigências do concurso, designadamente a construção de um novo parque de estacionamento na Praça Pontault-Combault, cuja implantação proposta permite a criação de duas praças-esplanadas sobreelevadas em relação ao terreno actual em 1,5m e 3,0m – procurando relações visuais diferentes das existentes com o Rio (e minimizando os efeitos do tráfego automóvel na sua fruição).

Por outro lado, procurou-se que a diferenciação das relações entre a frente urbanizada e o Rio não se desse apenas por via da diferenciação altimétrica mas que se definissem ainda novas possibilidades de legibilidade do próprio tecido urbano. Assim, foram introduzidos novos pontões na frente ribeirinha, cuja função não está já naturalmente relacionada com a pesca (excepto no caso do pontão existente junto ao Largo da Caldeira), mas antes com o prolongamento de alguns eixos que nos parecem singularmente importantes: como é o caso do eixo definido pelo panejamento Norte da Muralha que envolve a Igreja Matriz; do prolongamento da Travessa do Tribunal, que cruzando a Rua Direita (geratriz de toda a malha do núcleo histórico) garante um acesso directo do lado Nascente ao Rio; da Rua 16 de Setembro, potenciando as intervenções recentes de pedonalização entre a Praça Conselheiro Silva Torres (antigo Terreiro) e a frente ribeirinha; e, por fim, do prolongamento, de escala diferenciada, do eixo que liga o Largo da Senhora da Agonia ao Largo da Cabreira (prolongamento este que não se faz já para dentro do Rio como pontão, como nos restantes casos, mas antes como rampa, investindo-se assim com outro valor evocativo, relacionado desta feita com as actividades piscatórias e com o sacríficio dos pescadores locais).

Perspectiva da praça sobreelevada e ligação ao passeio ribeirinho

Outro dos aspectos que a proposta procurou atender foi a valorização de determinados percursos. Assim, considerou-se particularmente importante assegurar formas distintas a ligação entre a fortificação existente a Norte e o Rio, assim como a ligação entre o novo parque de estacionamento e o passeio marginal.

No que refere à ligação entre as fortificações existentes a Norte e a frente ribeirinha definiu-se uma travessia pedonal aérea entre a cota do passeio de guarda da muralha, acessível actualmente ao adro da Igreja Matriz (e restante núcleo histórico) a partir das duas rampas existentes, e a frente ribeirinha (também através de rampas). Esta ligação permitiria assinalar a conclusão do passeio ribeirinho com início no extremo Sul da área de intervenção (na transição com o percurso pedonal ribeirinho da Mata do Cabedelo), ou o seu ponto de partida a partir do momento mais singular de Caminha, servindo ao mesmo tempo para pontuar um percurso que se estenderá ainda a Nascente (onde se prevê a melhoria das ligações pedonais à Avenida Camões), melhorando significativamente a ligação desta zona (pouco permeável, dada a natureza fechada do baluarte) ao Rio.

No que refere à ligação entre o novo parque de estacionamento (momento que assinala a primeira paragem de quem deverá visitar Caminha) e o Rio, esta faz-se também através de uma passagem aérea pedonal, que partindo das praças-esplanadas que constituem a sua cobertura, cruza perpendicularmente o arruamento, dobrando-se de seguida para Norte, sobre o passeio ribeirinho.

Estes dois pontos permitem assinalar os pontos de partida e chegada ao segmento mais nobre e previsivelmente de utilização mais densa do novo passeio ribeirinho, que é justamente o que remata a frente urbana funcionalmente mais interessante (quer do ponto de vista patrimonial, quer do ponto de vista funcional): sendo que, para Sul, o passeio ribeirinho se desenvolverá essencialmente no sentido do recreio e lazer da frente urbana existente (cuja utilização é mais local) e da ligação com a Mata do Cabedelo (através de bicicleta e de uma utilização pedonal de recorte mais recreativo e desportivo, como é o caso do jogging).
Em ambos os casos as soluções propostas atenderão específicamente aos requisitos impostos pela mobilidade condicionada de deficientes motores, idosos e crianças.

Perspectiva do passeio ribeirinho

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